terça-feira, 5 de agosto de 2014

E prontos.

Quem não tem nada de bom para dizer, está calado.
Seguindo a premissa à risca, nada digo há mais de seis meses.
O último post, de cariz premonitório, não falhou: 2014 é o cócó em cima do cócó. Eu bem que procuro mas não lhe encontro nada que se lhe aproveite (tomara a mim também ter premonições quanto aos números do euromilhões e parte do cócó era limpo versão cillit bang).
Enfim, cá andamos e tal. Mais gordas graças ao milka com que auto me medico (seria simpático se os médicos de clínica geral começassem a prescrever milka para a depressão - sempre podia descontar no irs (ai, o irs)).
E prontos, é isto.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Que Sera Sera


2013 foi o ano mais horrível da minha vida. Tenho sérias dúvidas de que 2014 venha a ser muito melhor.
Sinto sempre que estou a ser atacada por um dementor que me suga a vida do corpo. Eu, pequena Harryeta Potter. Estranhamente, a tipa tinha razão: chocolate funciona. Tenho subsistido à base de milka e kinder. Cereja no topo do bolo: a celulite que vou herdar por alturas do Verão. Conclusão: sempre a piorar.


(é por isto que nunca mais escrevi nada aqui. porque sou um centro gravitacional de pessimismo)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Coisinha mais fofa



A minha família deu-me uma úlcera

Foi o meu aniversário.
A prenda que a minha família me deu foi uma úlcera no estômago.
Assim que comecei a acordar a meio da noite com dores horríveis, como se fosse uma criancinha etíope com fome, não tive dúvidas: a minha família tinha-me dado uma úlcera - facto que não foi desmentido pelo farmacêutico fofinho que me atendeu (porque eu não curto médicos).
Levamos a infância toda a acreditar que a banda sonora da nossa família é aquela música maricas do "stand by me". Mas não é. O que faz uma família funcionar é a argamassa que liga aquela gente toda, que na verdade nem sequer se grama muito, que é o denominador comum de todos nós. Desaparecendo a argamassa tudo se desconjura, que nem tijoleira ranhosa em cozinha velha.
E é assim que nascem as úlceras.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Como montar prateleiras numa despensa em 20 passos

1. Antes de mais, assume-se que não somos capazes de montar prateleiras numa despensa (já foi um milagre termos montado sozinhos uma estante Expedit Ikea).
2. Liga-se para os senhores da Galp On Comfort e marca-se uma hora para irem lá a casa.
3. Dizemos muitas vezes ao telefone e a várias funcionárias da Galp On Comfort: "Lembrem-se que tenho duas horas de bricolage grátis! Não se esqueçam! Vamos já comprar prateleiras".
4. Mede-se cuidadosamente, com a fita métrica da costura (que é a única que temos, por mero milagre) o espaço da despensa e o espaço que ficará entre cada prateleira.
5. Conclui-se que queremos 3 prateleiras 97x41.
6. Dirigimo-nos ao Aki depois de 10 horas no escritório, com um homem danado por ter de ir ao Aki comprar prateleiras.
7. Esperamos infinitamente que alguém nos atenda.
8. Continuamos a esperar infinitamente.
9. Alguém nos atende e é muito simpático. Aliás, ajuda-nos a escolher os parafusos, as buchas, pergunta pelo género de parede, diz ao homem que sou eu que tenho razão quanto aos apoiozinhos das prateleiras e ainda faz recomendações sobre ferramentas que já não sei enumerar e que julgo desconhecer em absoluto.
10. Carregamos, pagamos, voltamos ao lar.
11. Constatamos que as prateleiras não cabem na despensa.
12. Afinal, não tivemos em conta o rebordo da porta e o tamanho certo é 97x39.
13. Ligamos, em desespero, para o Aki para descobrir a que horas fecham.
14. Ninguém atende.
15. Enquanto o telefone toca ligamos o computador e descobrimos que fecham às 21h00.
16. São 21h15.
17. Ligamos às senhoras da Galp On Comfort para desmarcar a visita.
18. Dizemos muitas vezes ao telefone: "Não se esqueçam que temos duas horas grátis!"
19. Vamos jantar pipocas.
20. Amanhã tentamos outra vez.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Coisas Novas


Agora moro aqui.
Gosto.
Este sítio traz de volta os meus 12 anos. Gosto que seja um sítio pequenino onde toda a gente se conhece. Gosto que o senhor que só vi uma vez grite "Bom Dia!" entusiasticamente quando volta a passar por mim. Tem uma vida diferente esta terra. É mais parecido com o sítio onde cresci.
Já cá estamos quase há dois meses. Mas foram os dois meses mais penosos de sempre.
Quando estamos a planear uma mudança fazemos tudo para ter a certeza que as coisas vão acontecer da maneira mais pacífica possível, mais serena possível, com a maior alegria possível. A vida arranja maneira de dar a volta aos nossos planos.
Sempre que pensar no primeiro mês na casa nova vou pensar no telefone que tocou às 07h00 do primeiro feriado que aqui passámos. Vou  pensar no meu coração a cair no soalho. Não fez tanto barulho quanto se poderia imaginar.
Agora entretemo-nos a encher a casa de nós. Aos bocadinhos. 

domingo, 16 de junho de 2013

E de repente a Terra parou de girar no seu eixo.

Toda a minha infância passou à frente dos meus olhos. Porque tu foste sempre a personagem principal da minha infância. Descer a Rua da Voz do Operário a correr, com a mochila a bater no rabo, guinar à direita pela Rua de São Vicente, com a avó a correr atrás de mim, a dizer que estás à minha espera. E estavas sempre à minha espera. Ovo Kinder no Inverno e Perna de Pau no Verão. A barba que picava. Os teus amigos que se metiam comigo e a quem eu depois mordia. A minha infância toda parece que desapareceu esta semana. Desapareceu contigo.

Umas mãos gigantes prontas para me agarrar sempre. Costas largas para me carregar para todo o lado. Um carinho imenso nuns olhos que brilhavam sempre que me viam. Um orgulho desmedido até nas coisas mais pequenas.

Nos últimos tempos era estranho olhar para ti porque estavas tão pequeno. Ao meus olhos sempre foste enorme, mãos gigantes, costas largas. E nos últimos tempos, de repente, tão frágil, tão magro, quase do mesmo tamanho que eu. E isso foi tão estranho. Tudo continua a ser tão estranho.