quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bestas

Queridas Vodafone e Meo:

Como demonstrar o meu apreço após quase quatro meses sem ligação ao Universo? Como demonstrar, efectivamente, os sentimentos que transbordam em mim depois de quatro meses sem televisão, sem internet, sem telefone?
Durante os primeiros dois meses, eu telefonei para os V. serviços. Eu pedi. Acho que cheguei a implorar. Ao fim de dois meses, a senhora minha mãe, numa fúria telefónica, mandou a Vodafone para a puta que os pariu. Recebemos com agrado a factura relativa ao mês que decorreu (já depois de o equipamento ter sido levantado), à qual respondi via e-mail, muito educadamente (a minha mãe já lhes deu que fazer), reiterando que a Vodafone devia enveredar pela comédia, uma vez que têm muita piada.
O puto queria a BenficaTv. O puto diz que já não concebe a vida sem BenficaTv. A irmã (leia-se A Info-Excluída), que é uma fixe, tratou da adesão à Meo.
A irmã, que é uma fixe, tratou da adesão à Meo em 25 de Novembro de 2011. E depois telefonou a saber quando seria possível proceder à instalação. E depois telefonou outra vez. E depois telefonou outra vez. E outra vez. E sempre a mesma resposta bonita: "Vou relatar a situação ao nosso departamento técnico".
Urge, pois, colocar a questão: terá o vosso departamento técnico caído num poço de ar? É que vê-lo, nem pensar. Entrar em contacto com ele, de modo algum.
E o tempo passa. E eu sem ligação ao Universo. Se calhar já arrebentou a Terceira Guerra Mundial e eu ando por aqui, ignorante, sem saber como me precaver.
Ironicamente, acabei por contactar a Zon. Só para ver quanto tempo demorariam a fazer a instalação. A Zon demoraria apenas uma semana a visitar o meu lar, no horário que realmente me seria conveniente.

Tristemente, o puto insiste que não há vida sem BenficaTv.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Update

1 - Fiz 25 anos.
2 - Passei no exame de condução: sou uma menina encartada.
3 - Desembolsei € 350,00 na Ordem dos Advogados e apresentei os benditos relatórios.
4 - Mantenho a secretária num estado de calma aparente.
5 - O meu nome continua a não constar na Central de Responsabilidades do Banco de Portugal.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Inferno são os outros

É incrivel como, chegando à idade de 25 anos, a filha da putice me continue a fazer comichão.
Como o Homem é um animal de costumes, seria de esperar que me tivesse habituado, que o organismo tivesse produzido anti-corpos.
Mas não. Continua a fazer-me uma alergia doida.
Ele há gente que só está feliz a fazer-me infeliz. E a coisa é mais gritante quando se torna óbvio - estilo luzinhas de neon a piscar - que o único objectivo é fazer-me infeliz.
Eu vivo preparada para as grandes desgraças e fatalidades. Eu estou preparada para a crise, para a insolvência, para o drama e para a tragédia. Não estou preparada para a fatalidade de nem conseguir realizar o básico, o simples, aquilo que todo o bicho humano é capaz de fazer. 
E isso faz ainda mais comichão quando são os outros que estão a atravancar o caminho, versão elefante a passar pelo buraco da fechadura (indeed). Uma pessoa buzina que nem uma doida mas os animais continuam no caminho, a impedir a malta de prosseguir com a existência para a frente.
Ainda mais comichoso é saber que a minha felicidade se mede em coisas tão pequenas, coisas que seriam tão simples de fazer. E só não são porque há quem se dedique a orquestrar o meu Inferno pessoal.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Se ela não o diz, digo eu



O Monstro morreu.

ihihihihih

Estou sossegadinha no escritório a jogar "pile of balls" (não gozem) no facebook.
É uma maravilha quando já não há nada para fazer.

Deve ser esta a razão da crise.

O meu avô sempre disse...

... que o mês de Outubro era o mês da falência. Porque era o mês em que os miúdos voltavam para a escola e se compravam livros, cadernos, fatos de treino, ténis, mochilas, roupa nova. Porque era o mês em que vinham os impostos todos para pagar. Porque era o mês da depressão pós-férias. Porque era o mês do contar tostões.

O meu avô é um homem cheio de razão.

Estou insolvente.