quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma quarta-feira à noite, pelas 20h00, numa paragem de autocarro em Santa Apolónia

O poeta: bêbado, com a garrafa na mão esquerda, articulando com a direita, capuz até aos olhos e duas (?) pulgas saltitantes

A obra:
A República é uma prostituta
A Nobreza é uma mãe.
A República leva todos à guilhotina
Corta-lhes a cabeça.
A República é uma prostituta
Que nos fode a todos.
E eu fodo-a a ela,
Que a nobreza é minha mãe
E mãe é sempre mãe.
E vou ao cú ao Napoleão,
Que é amante da República,
Aquela prostituta.
Fodo-os aos dois,
Vou-lhes ao cu,
Meto-lhe o caralho na boca
Porque a República é prostituta.

Entretanto o meu autocarro chegou (ainda bem, porque não ia conseguir morder-me durante muito mais tempo). Fiquei, ainda assim, a cismar no pejo em dizer "puta".

terça-feira, 15 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Isto de uma pessoa ligar o computador e ser forçada a ler disparates - sim, porque notificam-me dos disparates, eu não fui à procura deles - é tramado.
É tramado porque eu fico a pensar nisso.
E equaciono sempre se o problema não será meu, se estarei a ver a coisa mal, se será uma questão educacional, ambiental, sei lá.
Mas há coisas que me ficam mesmo a remoer. Por serem mesmo parvas.
É óbvio que não vou dizer de que é que se trata. Não faltava agora mais nada.

Fui ver

Fui ver e gostei.

O Danny Boyle pertence àquele conjunto de gentes que já tem lugar cativo no meu coraçãozito.
Sempre muita atenção à banda sonora (por falar nisso, aquilo que as PussyCatDolls - iac - fizeram àquela musica simplesmente fantástica devia ser punido com pena de prisão), gosto muito da mãozinha do James Franco a deslizar por aquilo tudo (enfim, gosto, ainda que seja uma pessoa de cidades e me fartasse daquilo em vinte minutos), a gotinha de água a cair da garrafita.
Além disso, já há muito tempo que não era obrigada a desviar o olhar da tela (sou mesmo uma mariquinhas). Era isso ou vomitar as pipocas todas.

Tenho para mim que eu teria morrido naquele buraco.

Olha uma coisa gira:

Corria o ano de 2001 quando eu, os meus pais e o meu irmão tivemos um bruto de um acidente de carro (sinistro, vá) em Santa Maria da Feira.

Dez anos volvidos chegaram a casa cartinhas destinadas a mim, à minha mãe e ao meu pai para pagamento das taxas moderadoras.

Apontamento interessante: Será o meu irmão preto? (sem desprimor a todas as pessoas de cor mais escura que a minha. Eu também estou sempre a dizer "Virgem Maria" e a tipa era tão virgem quanto eu). Será que o Estado, sempre um passo mais além, concluíu que não valia a pena mandar cartinha para ele porque ele ainda não aufere dinheirinho? Mais estranho, à data dos factos eu ainda era a modos que pequenita. Mereço cartinha porque descobriram que aufiro rendimentos?

Apontamento interessante n.º 2: a droga em Santa Maria da Feira deve mesmo muita boa, se acham que vou pagar aquela treta ao fim de uma década.