quarta-feira, 9 de março de 2011

Fui ver

Fui ver sozinha ao Campo Pequeno.
Cheguei lá a achar que estava atrasada para a sessão das 19h10. Descobri que os filmes no Campo Pequeno às vezes têm alineazinhas. Esta alineazinha em concreto ditava que aquela sessão específica, às 19h10, era só para determinados dias que, por acaso, não era naquele dia.
A próxima sessão era às 21h30 e, por mera teimosia (sou muito boa nisso, by the way), comprei o bilhete.
Tive, portanto duas horas de completo abandono para matar.
E que fiz eu, nessas duas horas, além de ter tentado arranjar companhia (e constatar que não mantenho contacto com 80% da minha lista de contactos - passe a redundância)?
Comprei:
- novo chapéu de chuva;
- meiinhas (é assim que se escreve, acrescentando o "inhas"?) para o Verão (senhora da calzedonia ficou a amar-me);
- comprei quatro tops, um deles que me deixa linda de morrer, apesar de não haver ninguém que mo arranque (por sinal, depois disto a senhora da intimissimi também ficou a amar-me).

Resumo: fui ver "O Discurso do Rei", e a brincadeira que podia ter custado €12,00 ficou a custar quase €80,00.
Conclusão: a solidão desperta a consumidora que há em mim.
Custa-me sempre um bocadinho ouvir aquelas criaturas que se manifestam contra o Dia da Mulher.
Custa-me mais quando são mulheres que dizem tamanhos disparates.
O Dia da Mulher não existe para exacerbar a diferença. Existe precisamente para recordar essa diferença.

Existe para lembrar que, algures, uma mulher está a levar pancada porque o marido, a sociedade e o mundo que a rodeia acham que ela é propriedade.
Existe para lembrar que, algures, uma mulher está a ser vítima da condição de ser mulher.
Existe para lembrar que, algures, mesmo aqui em Lisboa, uma mulher recebe um salário inferior por um trabalho igual prestado por um homem.
Existe para lembrar que, em quase todas as sociedades, a mulher sempre foi vista como mais fraca, como menor.

Vista como fraca, como menor, quando tantas vezes cria os filhos sozinha, trabalha fora e dentro de casa e consegue, tantas e tantas vezes, ainda mostrar o seu melhor.

Já não sei onde o ouvi, mas mulher que, no mundo em que vivemos, não é feminista, só pode ser masoquista.

A luta é alegria!



Tenho a leve sensação de que fui a última pessoa no país a ouvir esta coisa.
É verdade que o Festival da Canção não usufrui da minha atenção há mais de uma década (além disso, para mim, se não ganhámos com a Simone de Oliveira - quando for velha quero ser igualzinha à Simone, que a ela ninguém lixa - não ganhamos com mais ninguém), logo este ano não foi excepção.
Fui dar uma espreitadela para ver qual era a razão de tanta celeuma a flutuar pela blogosfera.
É certo que não me dei ao trabalho de ir ouvir as restantes canções concorrentes, mas a não ser que tenha lá estado um Pavarotti e que tenha sido vil e injustamente roubado do lugar de vencedor (o que está tão na moda nos jogos do Benfica), não percebo o porquê de tamanha escandaleira.
Não estão a dizer mentira nenhuma, é verdade que por vezes dou comigo desanimada e que não falta quem me deixa ressabiada. Aliás, já há algum tempo que ninguém diagnosticava os meus problemas tão bem.
Se o problema é a restante Europa achar que, em questões de moda, ficámos entalados em 1976, enfim... acho que esse é menor dos nossos problemas. Não contem a ninguém, mas a verdade é que eles já não nos têm em grande conta... Vendo o copo meio cheio, pode ser que topem a ironia da coisa, achem piada e não acabemos em último lugar.
Agora, não me doa a cabeça por causa disto.
E pode ser que o povo saia mesmo à rua.

terça-feira, 8 de março de 2011

Coisas que me tiram do sério:

Atrasos.
Chegar atrasado.
Incapacidade de cumprir o horário a que se comprometeu.

Primeiro que tudo, porque é faltar à palavra dada. Porque implica duas alternativas: ou se é mentiroso ou se é incapaz. E as duas enervam-me solenemente.
Porque é gozar com a cara de quem chegou à hora marcada. Porque é gozar com a cara de quem, inclusivamente, teve a capacidade de chegar 5 minutos mais cedo, just in case.
Porque é mal educado, acima de tudo.

Eu não fui alvo de um ataque de kriptonite nem mordida por uma aranha mutante e chego sempre a horas. Aliás, eu só não chego a horas quando não quero. Aliás, eu conto os minutos que vou chegar atrasada.

E só faço isto em duas ocasiões:
1) Quando sei que vou ficar plantada (e mesmo chegando 15 minutos atrasada acabo à espera);
2) Quando o ar é tão rarefeito que o objectivo é ocupar aquele espaço pelo mínimo de tempo possível.

Daqui se retira que atrasos injustificáveis e que resultam da mera falta de carácter não podem ser perdoados com leviandade. Atrasos desta índole têm de ser severamente punidos e nunca esquecidos (para que sejam atirados à cara do atrasadinho sempre que a ocasião se proporcione).

E isto é quase tão irritante como obrigar-me à repetição. Mas isso é outro post.
Estado de espírito:

Bombista

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sábado à noite

Pipocas, filme e termoventilador. Num mix.

Deve haver maneira de fazer um upgrade existencial, mas isto agora são só cacos e não há supercola3 que resista à minha incrível falta de vontade.

Uma pessoa normal aguarda freneticamente pelo fim de semana. Eu aguardo freneticamente por segunda feira.

Vou mas é pôr a cópia ranhosa do "Wolfman" que me arranjaram, dizer mal da pirataria que me emprestam, chamar nomes ao brasileiro que legendou e enfardar as minhas pipocas.

Ah pois é, bebé (a minha nova frase preferida).