segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A culpa é obviamente minha e de alguma falha genética que há em mim.
Porque eu continuo a preocupar-me. Preocupo-me sempre. Se está bem, se chegará inteiro.
Ele, que nunca pergunta como estou. Ele, que nem desejou feliz natal. Ele, que nunca evitou magoar-me.
E eu preocupo-me. Porque quando dou, dou tudo. Se vou fazer, faço por inteiro. Se me levas, levas o pacote todo.
Quem me dera não ser assim. Quem me dera só te dar bocadinhos. Pedaços de mim, meramente alugados, coisas que não me possas tirar.
Mas quando dou, eu dou tudo. Falhas genéticas, educacionais, não sei. Mas é uma falha. E a única pessoa que se magoa sou eu.
É uma predisposição para cair em desgraça. Porque eu sabia, à partida, que era uma desgraça. E ainda assim meti-me nela de cabeça. Parva.
E aqui estou, a pensar nele a acelerar pela A1 e na possibilidade de se espetar contra algum lado, de coração estupidamente apertado. Apertado como ele nunca o teve.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Efeito boomerang

Bem sei que fui uma cabra. Não se julgue que o não sei: eu sei. Mas também sei que já tinha a fama, achei que o proveito me ia fazer sentir bem.
Pois, fez ricochete.
Considerando a altura do ano, é fácil de ver que não poderia passar impune. E a mim, tudo me acontece.
Quando as probabilidades são de 1 para 8 e me calha a mim, é sinal de que estou fadada para iman de desgraças. Que ninguém duvide: se tiver de acontecer, acontece a mim.
Ademais, nisto de desgraças kármicas, começa a roçar a probabilidade científica: quando melhor for a notícia que me derem, maior será a desgraça que lhe sucede.
Na semana que antecedeu aquilo que para sempre recordarei como o "Jantar da Queda", tinha sido brindada com um aumento do salário. E, na altura, eu bem previ: alguma desgraça me espera. E ela lá esteve, fatal como o destino.
Se tiver de acontecer, acontece a mim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Não é que eu não tenha nada para fazer. Porque tenho. Bastante, até.
Acontece é que não é assim tanto que me ponha em estado de pânico.
Não é assim tanto que me faça esquecer que existem coisas melhores para fazer.
Não é assim tanto que me faça esquecer que não há ninguém com quem fazer coisas melhores.

O meu mal é não estar assoberbada de coisas para fazer. Porque, se estivesse, não pensava em merda.

Pequenas Directrizes Para Convivência Amena (PDPCA) - Parte II

Odeio, odeio de morte que me obriguem a repetir-me. Sinal de que não me estavam a ouvir, para começar. Sinal de que entra a 100 e sai a 200. Odeio.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Vamos lá esclarecer

Eu não faço trabalho doméstico.
Se fizer, é quando me der na real gana.
E, se fizer, será sempre o mínimo imprescindível.
Não faço. Ponto.

Não percebo porque é que ela não percebe isto. Não deveria ela amar-me incondicionalmente, com defeitos e tudo, e aprender a aceitar-me como eu sou?
Sim, eu sei, eu sou a cabra. Eu sou a mal disposta. A mal encarada. Aquela a quem todos devem e ninguém paga. A soturna. A enjoada. Eu sei isso tudo. Aliás, para além de tudo isso, também sou aquela que não faz nada em casa.
E não faço mesmo. Porque não quero. Porque fazê-lo deve ser uma decisão minha. E porque o resto do mundo espera que eu o faça.
Preciso mesmo da minha casa. Pode ser que a felicidade ande por lá.
Anatomia de Grey.
Temporada 6
Episódio 3.
Eu sou a Altman.
Patética.