sábado, 4 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Era uma vez uma moça que acordou com dor de dentes pela manhã. Sobrevive com uma overdose de ibuprofeno. Sai de casa e vai à luta (ou trabalhar).
A moça chega ao escritório e trabalha e trabalha e trabalha.
E espirra. E espirra. E espirra.
A moça constipou-se.
A moça anda por aí com o nariz todo ferido.
A moça atende telefones e espirra. Ao telefone.
O dia de trabalho acaba e a moça arruma todas as tralhas, veste o casacão, agarra na pastinha e na malinha, fecha tudo e segue o seu caminho.
A moça anda depressa porque não pode perder o autocarro (ou vai dar uma volta atroz por Chelas).
E zás, a correia da mala arrebenta. Todo o conteúdo da mala não se espalha pelo caminho porque a moça, apesar de se sentir velha, ainda tem os reflexos da juventude.
E lá vai a moça, a correr para apanhar o autocarro que já se vislumbra, com uma pastinha na mão e a mala transbordante ao colo.

Para que se veja que os meus azares não são todos profundos e existenciais. Até os azares merdolas, que eram perfeitamente evitáveis e desnecessários, me sucedem. Sem excepção. Existindo karma, mantenho-me à espera do dia em que a sorte virar. É que, tudo somado, julgo que vou ganhar o Euromilhões.
Onde adquirir botãozinho existencial com os dizeres "Eliminar"?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


Fiquei velha antes de ter tempo de ser nova.
Nada me deixa mais deprimida do que passar feriados e fins de semana no jardim, a aturar gente de que não gosto, a ouvir conversas que não me interessam e a saber que não tenho outro sítio para ir.
Talvez se tivesse a minha casa. O meu canto. Um sítio onde ninguém me chateasse. Não sei se mudava alguma coisa, mas eu gosto de pensar que sim.
É melhor pensar que a culpa é de algum factor estranho a mim, e não culpa minha (e a voz dela a ressoar, a dizer que ainda morro sozinha).
Talvez se eu tentar mudar tudo.
Talvez se eu ocupar o tempo e o espaço com tanta coisa que não consiga pensar em nada (como quando se joga solitário para ocupar a cabeça com nada mais do que sequências matemáticas).
Talvez se eu encher todos estes vazios de coisas me consiga sentir mais inteira.
Para a merda com a fé na humanidade.
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