domingo, 14 de novembro de 2010

Que nome dou às saudades daquilo que nunca tive?

Porque me fazes sentir mesmo um nojo


Isto está tão mal que aos fins de semana tenho saudades do escritório.
Porque estar lá é ter um objectivo, é ter sempre algo para fazer, é ter sempre algo em que pensar para não ter de pensar em merda.

E nada é mais deprimente do que passar 5 dias a aguardar pelo fim de semana e, quando lá chegamos, descobrirmos que não temos nada para fazer, ninguém com quem falar, nada que nos deixe feliz.

Deprimente.

Embrulhada

Meti-me numa embrulhada.
Toda a gente me avisou que era uma embrulhada. Mas eu não, que ideia, isto da fé na humanidade chega para tudo, a luz estará no fundo do túnel, tudo há-de acabar em bem.

Começo a sentir a minha paciência a escorrer fina.
A fé na humanidade a começar a abalar.
A luz a tremer.

Uma embrulhada. Daquelas. Imensas.

Não sei como vou sair desta. Bem, até sei. Saio desta quando a paciência findar, quando a fé na humanidade se espalhar ao comprido, quando a luz se apagar. Porque nessa altura digo que chega. Não seria a primeira vez.

Até lá, contemplo a embrulhada em que me meti, vou tentando alimentar a fé com pequenas manifestações de humanidade, vou tentando pagar a conta da luz.

Não sei quanto tempo vai durar. Mas eu não era eu se não tentasse.

Livra


Eu dava tudo para que desistissem de fazer de mim uma fada do lar.
Vêem-me na cozinha, a fazer um frete, e a primeira coisa que se lembram de me dizer é: "está uma mulherzinha".

Merda. Ninguém vê que isso é uma merda? Pelo vistos ser "uma mulherzinha" é estar na cozinha. Ser "uma mulherzinha" é parir 30 crianças, cuidar de uma casa e passar o dia na puta da cozinha.

Se ser "mulherzinha" é isto, dispenso, obrigadinha. Podem meter a "mulherzinha" pelo cu acima, que eu não quero.

Se a fuga fosse possível, já cá não estava.